Cada número do Iansã tem origem citável.
O Iansã não é uma caixa-preta. Cada produto declara o método que aplica, a norma de referência e a proveniência do dado. Esta página reúne esses métodos e a verificação numérica independente que confirma a implementação — inclusive a conferência exata contra os valores publicados do FAO-56.
Conferência contra o FAO-56
Os blocos físicos da evapotranspiração são reproduzidos pelo motor do Iansã e conferem dígito a dígito com os valores publicados em Allen et al. (1998) — evidência de que a cadeia da ETo (Penman-Monteith) está implementada exatamente como a norma internacional.
| Grandeza física | Iansã | FAO-56 | ✓ |
|---|---|---|---|
| Pressão de saturação es(24,5 °C) | 3,075 kPa | 3,075 | ✓ |
| Declividade da curva Δ(30 °C) | 0,2434 | 0,2434 | ✓ |
| Pressão atmosférica a 1800 m | 81,8 kPa | 81,8 | ✓ |
| Radiação extraterrestre Ra (−20°S, 3 set) | 32,2 | 32,2 | ✓ |
| Duração astronômica do dia N | 11,7 h | 11,7 | ✓ |
| Redução do vento 10 m → 2 m | 0,748 | 0,748 | ✓ |
Medir, não adivinhar
Método declarado
Todo produto informa, na própria saída para laudo, a fórmula e a referência que aplica — de Penman-Monteith FAO-56 à desagregação CETESB.
Estimativa é rotulada
O que é medido, o que é interpolado (ponto) e o que é estimado por método indireto aparecem separados, sempre com o indicador de confiança.
Sem caixa-preta
Núcleo científico em NumPy puro, testável e auditável. Nenhum modelo opaco entre o dado do INMET e o resultado.
Convenção de tempo: os dados horários do INMET e da NASA Power chegam em UTC; as agregações por dia, semana e mês usam o dia local da própria estação ou coordenada — a chuva das 22h é contada no dia em que caiu, não no dia UTC seguinte. O fuso vem da unidade da federação onde o ponto cai (Acre UTC−5; Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima UTC−4; demais UTC−3), e não de um valor fixo. Aproximação documentada: os municípios do extremo oeste do Amazonas que são UTC−5 entram como UTC−4, porque a resolução é por unidade da federação.
Catálogo de métodos
Cada indicador, sua expressão-chave, a referência e a aplicabilidade a pontos de interesse: Estação Ponto (ressalva) Só estação
Precipitação
Regime pluviométrico
Intensidade horária
Erosividade da chuva (fator R, USLE)
Evapotranspiração & água
ETo — evapotranspiração de referência
Balanço hídrico & irrigação
Sol & vento
Radiação, claridade e insolação
Regime de vento & potencial eólico
Incêndio & conforto térmico
Perigo de incêndio — FMA+
Índice de calor & sensação de frio
Classificação climática
Köppen-Geiger & aridez de De Martonne
Balanço hídrico climatológico
Zoneamento agroclimático (soja, milho)
Frequência, extremos & IDF
Período de retorno & tendência
Curvas IDF (Intensidade-Duração-Frequência)
Estimativa em pontos (interpolação de estações)
Interpolação das estações
Hidrologia & outorga
Autodepuração (curva de OD)
Vazões de referência para outorga
Caracterização, solo & relevo
Caracterização ambiental (por ponto/área)
Pedologia, geologia e declividade
Topografia e Relevo — hipsometria, declividade e aspecto
Estudos ambientais
AIA — Avaliação Quantitativa de Impactos Ambientais
Validação independente
Conservação de massa (mm)
O balanço de Thornthwaite-Mather fecha P = ETR + EXC + ΔARM na precisão de máquina; ETR ≤ ETo e 0 ≤ ARM ≤ CAD sempre.
Coerência da IDF (mm/h)
Intensidade monotonicamente decrescente com a duração (5 min → 24 h) e P(24h) = 1,14·P(1 dia) reconstruída exata.
Testes automatizados
Mais de 100 testes do núcleo científico, dentro de mais de 19.000 no total. A suíte inteira é executada no portão de qualidade que autoriza cada mudança a entrar no produto — nada é publicado sem ela verde.
Escolhas metodológicas declaradas
Limiar sazonal de Köppen (70% / 30%)
Adota a convenção de Peel et al. (2007); raramente altera a classe frente ao limiar de ⅔ de Kottek.
Pressão de vapor pela UR média
ea = UR_média·es é o método de recurso documentado no FAO-56, usado quando não há UR máxima/mínima confiáveis.
Ajuste da equação IDF em espaço log
O R² do ajuste é calculado no espaço logarítmico — padrão para a linearização de i = K·T^m/(t+b)^n.
Umidade do ponto sem correção altimétrica
A UR interpolada não é reajustada pela cota do ponto — simplificação razoável, sempre com o indicador de confiança.
Referências
Bibliografia dos métodos implementados — citável diretamente em laudo.
- Allen, R.G.; Pereira, L.S.; Raes, D.; Smith, M. (1998). Crop evapotranspiration — Guidelines for computing crop water requirements. FAO Irrigation and Drainage Paper 56. FAO, Roma.
- Hargreaves, G.H.; Samani, Z.A. (1985). Reference crop evapotranspiration from temperature. Applied Engineering in Agriculture, 1(2).
- Thornthwaite, C.W.; Mather, J.R. (1955). The water balance. Publications in Climatology, 8(1).
- Doorenbos, J.; Kassam, A.H. (1979). Yield response to water. FAO Irrigation and Drainage Paper Nº 33. FAO, Roma.
- Horn, B.K.P. (1981). Hill shading and the reflectance map. Proceedings of the IEEE, 69(1).
- Justus, C.G.; Hargraves, W.R.; Mikhail, A.; Graber, D. (1978). Methods for estimating wind speed frequency distributions. Journal of Applied Meteorology, 17.
- Soares, R.V. (1972). Índices de perigo de incêndio (Fórmula de Monte Alegre). Floresta, 3(3). · Nunes, J.R.S.; Soares, R.V.; Batista, A.C. (2006). FMA+. Floresta, 36(1).
- Rothfusz, L.P. (1990). The Heat Index equation. NWS Technical Attachment SR 90-23, NOAA.
- Environment Canada — JAG/TI (2001). Wind Chill Temperature Index.
- Kottek, M.; Grieser, J.; Beck, C.; Rudolf, B.; Rubel, F. (2006). World Map of the Köppen-Geiger climate classification updated. Meteorologische Zeitschrift, 15(3). · Peel et al. (2007), HESS, 11.
- De Martonne, E. (1926). Aréisme et indice d'aridité. Comptes Rendus de l'Académie des Sciences, 182.
- Lombardi Neto, F.; Moldenhauer, W.C. (1992). Erosividade da chuva em Campinas (SP). Bragantia, 51(2).
- CETESB (1979) / DAEE-SP. Método da desagregação de chuvas para curvas IDF.
- Gumbel, E.J. (1958). Statistics of Extremes. Columbia University Press. · Mann (1945); Kendall (1975); Sen (1968).
- Karl, T.R.; Nicholls, N.; Ghazi, A. (1999). Índices de extremos ETCCDI/CLIVAR. · OMM/WMO. · USDA-SCS (1970) — precipitação efetiva.
- Gutierrez, L.A. (2020). Proposta metodológica para avaliação de impactos ambientais. TCC (Engenharia Ambiental), UFMS, Campo Grande. Método desenvolvido com auxílio de Pedro Henrique Carvalho Gonçalves. · Broch, S.A.O. (2013). Avaliação de Impactos Ambientais e Licenciamento Ambiental. Campo Grande, MS.
Rigor que cabe no seu laudo
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